Um Olhar Verde Sobre a Química

No Vale dos Sinos existe um significativo número de profissionais da área da química. Um fator que contribui para isso é que muitos profissionais são formados por renomado curso de Técnicos em Química da Fundação Escola Técnica Liberato Salzano Vieira da Cunha. Outro fator se dá pela grande procura por tais profissionais em decorrência da demanda de trabalho no setor coureiro e no setor de componentes do calçado (plásticos, metalurgia, etc.).

O profissional da área de química é comumente encarado como o “vilão” do meio ambiente, devido aos acidentes ecológicos ocasionados por indústrias imprudentes. Poluindo o ar atmosférico, contaminando os rios, mares e solos, algumas empresas desobedecem às leis ambientais ocasionando a difamação da profissão na mídia brasileira.

Em função disso, há mais de 20 anos, conhecimentos sobre o “como se fazer uma Química Limpa” vêm sendo ensinados aos alunos. Em outras palavras, o aluno aprende a pesquisar e desenvolver novos materiais respeitando o meio-ambiente. As modificações são realizadas no dia-a-dia dos laboratórios. Pesquisas, usando fontes naturais renováveis (como a celulose e os óleos vegetais por exemplo), ou recicladas de matéria-prima, são realizadas com o intuito de serem preservadas as fontes naturais não-renováveis (como o petróleo). Fazer reações químicas em menor tempo, utilizando menos energia é um constante desafio para os químicos. O uso de novos produtos que aceleram os processos (catalisadores) são cada vez mais empregados e testados para esse critério. Processos químicos realizados à temperatura e pressão ambiente são cada vez mais difundidos e analisados, a fim de reduzirem impactos ambientais e econômicos. O uso de substâncias tóxicas, cancerígenas, não-biodegra-dáveis e bioacumulativas é sumaria-mente proibitivo. As substâncias devem ser cuidadosamente escolhidas para salvaguardar a saúde e a vida do trabalhador. Medidas para prevenir e evitar acidentes químicos incluindo vazamentos, explosões e incêndios sempre tem alta prioridade.

O enquadramento das indústrias nas normas ISO 14000 (ISO – International Organization for Standardization), que estabelece diretrizes sobre a área de gestão ambiental dentro das empresas, demonstra a preocupação das indústrias químicas na preservação do meio ambiente. A existência de estações de tratamento de efluentes, o controle da eliminação de gases tóxicos, a separação e adequada eliminação do lixo, o reaproveitamento e reciclo dos resíduos, são exemplos de práticas que vêm sendo adotadas. Além disso, indústrias de papel (celulose) já adotaram o uso de matérias-primas de reflorestamento e outras intensificaram suas pesquisas na reutilização dos resíduos para a produção de etanol. No setor de combustíveis, o biodiesel já começou a ser adicionado ao diesel, com o intuito de diminuir o uso do petróleo e substituí-lo (mesmo que em pequena parte) por fonte de origem renovável vegetal.

Além dos biólogos, geólogos, ambientalistas e ecologistas, os químicos também são os “super-heróis” do meio-ambiente. Dotados de uma incrível imaginação, eles têm o poder de criar produtos para a melhoria do bem-estar humano e o dever de cuidar do planeta. Atualmente, esse é o grande desafio do profissional da química: usar o conhecimento adquirido abusando da sua criatividade na realização de pesquisas conscientes, na resolução de problemas existentes e na sugestão de melhorias industriais.

No entanto, é necessária a união de profissionais de diferentes setores para que haja um sinergismo com as diversas áreas de conhecimento para que os benefícios do desenvolvimento autosustentável seja mais rapidamente alcançado. É de extrema importância que essa “Liga de Super-heróis” seja formada. Discussão e entendimento da legislação ambiental, métodos de ensino e conscientização, e prevenção de danos ambientais requerem um trabalho em equipe. Somente quem conhece, respeita.

por Dr. rer. nat. Cíntia Salomão Pinto Zarth, doutora em Química

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