Trocas solidárias, uma prática ética

A Economia Solidária é um processo real, onde se convergem as buscas de múltiplos setores e grupos, pessoas de todos os grupos sociais que queiram desenvolver iniciativas empresariais com um novo enfoque de desenvolvimento alternativo, integral, humano e sustentável, com êxito no local e que pensem que os problemas ambientais são também originados por formas econômicas e de desenvolvimento não-solidárias.

Muitas formas de produção podem ser incluídas nesta classificação, como cooperativas, as pequenas associações de produtores urbanos e rurais, grupos informais, grupos de trocas. Para organizá-la, é necessário que a produção seja coletiva, a comercialização seja justa e o consumo seja ético. Aqui, gostaria de destacar o Selo Sabor Gaúcho, que vem certificando produtos naturais, ecologicamente corretos dos produtores gaúchos e visa um processo educativo-pedagógico importante nas comunidades bem informadas.

Clubes de trocas

Um dos exemplos importantes de prática da Economia Popular Solidária, e que apresenta resultados significativos, são os Clubes de Trocas Solidárias, existentes em todo o mundo. São organizações de micro-produtores e auto-gestores. Há também negócios familiares que se agrupam as centenas. Os Clubes de Trocas caracterizam-se por criarem moedas próprias. Ao emiti-las, os participantes dão crédito uns aos outros.

Tem por finalidade criar um espaço – A Feira de Trocas Solidárias – onde os sócios podem negociar seus produtos, serviços e saberes, participar e contribuir na roda da cultura, do chimarrão e do diálogo. Neste projeto, somos prossumidores, ou seja, ao mesmo tempo produtores e consumidores.

O movimento das trocas solidárias é um segmento da Economia Popular Solidária e caracteriza-se por ações em que a escassez de dinheiro é compensada pelas trocas solidárias diretas e pelo uso de moedas sociais que servem como bônus ou créditos somente nestes espaços.

Nas palavras de Heloisa Primavera, especialista em economia solidária, professora do curso de economia da Universidade de Buenos Aires: “Não se trata de uma tentativa de remediar individual ou familiarmente nossa qualidade de vida, mas também de começar a levar igualdade e reparação histórica aos setores mais desprotegidos das sociedades que queiram entrar neste processo de reinventar a vida, reinventando o mercado”.

Com a experiência da troca, os diferentes grupos vêm demonstrando que o dinheiro não é condição de satisfação das necessidades humanas e que a solidariedade e a reciprocidade, quando desenvolvidas num grupo de pessoas, são capazes de gerar confiança e autonomia. O intercâmbio de bens, produtos e serviços é apenas um meio de substituirmos a competição estéril, o lucro e a especulação pela cooperação, reciprocidade e solidariedade entre as pessoas. Nossos atos, produtos e serviços devem se conectar com a ética ecológica e bom senso.

O primeiro Clube de Trocas de Novo Hamburgo surgiu em janeiro de 2003, nas discussões e trocas de idéias nos encontros dos núcleos comunitários da microbacia do Arroio Pampa. A Moeda Social Pampa Vivo e a logomarca do grupo foram criadas pelos participantes que decidiram homenagear o arroio. Segundo eles, queremos o Pampa Vivo!

Como ocorrem as trocas?

As pessoas se organizam para trocar produtos, serviços ou saberes sem uso do dinheiro. Trazem produtos que produzem ou que possuem e não necessitam mais, possibilitando as trocas. Desta forma, trocam por outro produto de igual valor ou adquirem a Moeda Social para facilitar as compras na feira. Trocar e contribuir com a distribuição, promovendo a confiança, a cooperação e o sentido comunitário entre as pessoas, em contraposição ao,modelo capitalista vigente na sociedade. A partir da feira, abriram-se novos caminhos de transformar a vida de uma comunidade.

A prática das trocas solidárias é semelhante ao escambo, utilizado há décadas pelos povos indígenas e pelos agricultores (por exemplo, trocar 1kg de banha por 1kg de semente crioula do milho).

Para evoluir, buscando qualificar este projeto, contamos com a parceria e apoio do Fórum Municipal de Economia Popular Solidária, da Incubadora de Tecnologias Sociais da Feevale, alunos e professores do Curso de Comunicação Social da Feevale e Cáritas do Brasil.

Onde acontece?

– Feira municipal de Economia Popular Solidária – Segundo sábado do mês, das 9h às 16h, na Praça 20 de Setembro.

– Feira de Trocas Pampa Vivo – Terceiro sábado do mês na Escola Municipal Samuel Dietschi, das 14h às 16h, na rua Sobradinho, 27, São Jorge.

– Feira de EPS da Feevale – Terceira semana do mês, na segunda e terça-feira, das 9h às 21h, área coberta, Campus II.

Por bióloga Solange Manica

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