Sistema de bicicletas alugáveis de Porto Alegre

Porto Alegre é uma cidade de grande porte, ou seja, tem sua população muito superior a 1 milhão de habitantes e, por consequência, apresenta complicações decorrentes da alta densidade populacional, como, por exemplo, um trânsito com grandes engarrafamentos no qual, em horários de “rush”, desenvolve-se velocidades médias de apenas 15-20km/h, independente da potência do seu automóvel; outro problema resultante da quantidade de habitantes é a superlotação do sistema de transporte público, o qual não consegue atender com qualidade os moradores da cidade.

Para resolver esses dois problemas, e muitos outros, fala-se muito, principalmente em “anos de Copa”, sobre a criação do metrô de Porto Alegre, o que dificilmente venha a se concretizar, seja por causa de particularidades no terreno porto-alegrense, que é constituído de rocha granítica e de difícil escavação, seja pelo grande investimento necessário para instalar, em uma cidade de quase trezentos anos, um sistema altamente complexo de túneis e de acessos que o metrô necessita para ser eficaz. É importante ressaltar que não se pode, de modo algum, dizer que não há empenho por parte dos governantes em realizar tal obra, até mesmo porque é muito útil em eleições futuras ser o “candidato do metrô”.

Em meio ao caos do trânsito porto-alegrense e da descrença sobre a implementação do metrô para a minha geração (estou com 23 anos), brilha a oportunidade de aluguel de bicicletas por um preço acessível, até mesmo barato; esse sistema funciona da seguinte maneira, o usuário preenche um formulário de cadastro no site da empresa que presta o serviço, no caso de Porto Alegre é a Bike PoA (no rio, a Bike Rio; em São Paulo, a Bike Sampa), e fica apto a adquirir passes que são divididos em diários (R$ 5,00) e mensais (R$10,00), os quais são comprados pelo cartão de crédito. Ao comprar o passe, o usuário pode se dirigir a uma das estações espalhadas pela cidade (vale a pena olhar no site da empresa, ou no aplicativo para smartphone, o mapa que mostra a localização das estações, o número de bicicletas disponíveis e o número de vagas vazias) e realizar dois procedimentos. Pode-se telefonar para o número da empresa, solicitar ao atendente, que normalmente é bastante cordial, a liberação da bicicleta de número “X” na estação “Y”, ou pode-se acessar o aplicativo do celular e inserir o número da estação e o número da bicicleta para fazer a retirada (só é possível se o seu celular tem conexão com internet). Após retirar a bicicleta, o tempo que se pode ficar com ela é de 15 minutos no mínimo e de 1 hora no máximo, devendo-se devolver a bicicleta após essa 1 hora. Importante: pode-se, respeitado o tempo mínimo de 15 minutos, devolver a bicicleta e já pegar outra, reiniciando com isso a contagem de tempo.

O sistema de bicicletas parece, com isso, a melhor alternativa para transporte urbano então, pois é ecológico, saudável, rápido (pode-se desenvolver, dependendo da capacidade física de cada um, velocidades médias superiores acima dos 15-20 km/h dos automóveis) e, acima de tudo, barato. Então por que não se estabelece como o foco de ações públicas? A resposta é simples, a solução, nem tanto. O sistema de transporte individual em bicicletas é altamente perigoso em uma cidade como a nossa, pois os ciclistas são obrigados a andar em ruas e avenidas próximos a carros, caminhões, ônibus e, muitas vezes, disputando literalmente o espaço com motociclistas. A solução é construir ciclovias. Que simples, não? Pois é, não. Como eu já disse, Porto Alegre é uma cidade velha, e como tal é difícil cavar túneis, mas mais difícil ainda é mexer sobre a terra, redividindo espaços públicos, ou seja, diminuindo calçadas ou ruas e avenidas (que já são superlotadas) para a construção de ciclovias, as quais, não raro, se tornam motofaixas, uma vez que, como as vias urbanas são extremamente lotadas e, com a construção de ciclovias, ficaram ainda mais restritos os espaços, o motoqueiros/motoboys, optam por dirigir nessas faixas.

Por fim, gostaria de pontuar que, embora seja difícil a instalação do meio de transporte individual focado em bicicletas, não é impossível, basta que tanto o governo como a população faça sua parte não só na capital como também nas outras cidades. Cabe ao governo o planejamento, a construção e, sobre tudo, a fiscalização do uso das ciclovias; e cabe a população fazer bom uso e não danificar o patrimônio público, em outras palavras, ter o raro bom senso e educação.

Bernardo Pinatti

Estudante de Medicina da UFRGS

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