Reflexão verde sobre o futuro

Presidente do Movimento Roessler avalia o papel da sociedade hamburguense na preservação do meio ambiente

Neste 5 de junho, o tema Meio Ambiente irá dominar as manchetes de jornais mais do que em outros dias. Com exceção de quando ocorrem grandes tragédias, como a mortandade de peixes no Rio dos Sinos, é no Dia Mundial do Meio Ambiente, lembrado nesta terça-feira, que a sociedade reflete sobre sua postura e seu futuro com mais intensidade.

Para o presidente do Movimento Roessler para Defesa Ambiental, Markus Wilimzig, Novo Hamburgo, assim como todo o planeta, necessita de uma melhor educação ambiental, em casa, na escola e na imprensa, regendo suas ações como um todo.

“Enquanto as pessoas não tiverem respeito pelo meio ambiente, nada vai mudar. Respeito e responsabilidade são as bases para todas melhorias. Isso começa com as pessoas que jogam lixo na rua, a indústria que lança efluentes nos arroios, a prefeitura que não cuida do esgoto e os aterros para o lixo. Tudo é a mesma linha de falta de respeito e responsabilidade”, define.

Ao analisar o cuidado dos cidadãos com o meio ambiente, Wilimzig diz que de uma forma geral a preocupação é muito baixa. “As pessoas acham que o meio ambiente é coisa dos outros e que os outros precisam resolver isso. Porém, acho que esta falta de educação ambiental é igual em todas as regiões”, diz.

O presidente do Roessler lembra que, quando as pessoas mais velhas falam sobre o tempo passado, se referindo à época em que podiam nadar nos rios e brincar nos arroios, elas também são culpadas por isto não ser mais possível, uma vez que também mudaram o ambiente. “Só ninguém fala sobre a própria culpa”, lembra.

Ele acredita que o tema meio ambiente tem recebido importante apoio nas escolas, mas acrescenta que o assunto poderia ser incluído como disciplina curricular. “Tenho grande respeito pelos professores que têm tanta força e tanto entusiasmo pela educação ambiental. E o meio ambiente como uma disciplina é tão importante como línguas, esportes, entre outras”, sugere.

Quanto à gestão pública do meio ambiente, Wilimzig lembra dos problemas causados quando há muitas trocas de secretários, o que aconteceu recentemente tanto no Estado quando no Município. Novo Hamburgo, por exemplo, teve três secretários na área em dois anos.

“Meio ambiente é um trabalho contínuo para muito tempo. O que for feito hoje dará resultados para os nossos filhos. Um pensamento político de apenas quatro anos é errado nesta área”, afirma.

Proviências urgentes

Para Markus Wilimzig, a prefeitura de Novo Hamburgo tem pecado pela falta de agilidade quando o assunto é o aterro sanitário do bairro Roselândia e a gestão do lixo de uma forma geral.

“Precisamos de muito mais esforço para resolver os problemas. O lixo acumula sempre mais, o chorume contamina o ambiente sempre mais, e nós não temos cinco anos para esperar. A mesma coisa com a coleta seletiva e a coleta do lixo em geral. Por que a prefeitura espera tanto tempo para desenvolver uma nova concessão do lixo?”, questiona.

O presidente do Movimento Roessler também sugere que Novo Hamburgo tenha um serviço de vigilância ambiental 24 horas. Segundo ele, é impossível fazer uma denúncia contra um lançamento de efluentes, por exemplo, considerando que técnicos da Fepam precisam vir de Porto Alegre para Novo Hamburgo nos fim de semanas e às noites.

Mais informação

Wilimzig também sustenta que a imprensa precisa falar sobre meio ambiente não só quando ele é moda, como neste dia mundial. Indica ainda que todos os lugares que têm contato com as pessoas, como lojas, supermercados e ônibus, podem fazer a sua parte. Para ele, é preciso difundir a informação ambiental para que haja uma conscientização de toda a sociedade.

“As pessoas precisam ter respeito e responsabilidade. Nós precisamos pensar em que tipo de mundo daremos para nossos filhos e netos. Também as pessoas precisam reclamar mais. O povo brasileiro é um povo que não reclama. As pessoas precisam reclamar quando o vizinho deixa lixo no ambiente, precisam reclamar quando os políticos não fazem as coisas como eles falam. Quando o ônibus é tão velho que polui o ambiente como cinco ônibus novos. Quando a Justiça não pune as contaminações, etc. O povo precisa fazer isso, por que esse é o mundo que ficará para os filhos deles”, afirma.

Fonte: novohamburgo.org

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