Plástico com os dias contados

Discurso comum entre ambientalistas e lojistas alerta para uma nova realidade: o fim das sacolas plásticas

A tradicional sacolinha plástica que você recebe sempre que faz compras em algum mercado pode estar com os dias contados. Surgem no País projetos de fabricação de sacos com menor impacto ambiental e, em Novo Hamburgo, a idéia é substituir o plástico pelo algodão, utilizando sacolas de pano.

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Supermercados, Sussumu Honda, está na hora de os empresários enfrentarem este grave passivo ambiental que as lojas acabam deixando.

Durante a Expoagas, na Fiergs, em Porto Alegre, Honda lembrou que o mundo inteiro trabalha atualmente o respeito ao meio ambiente e a responsabilidade nesta área. Ao tocar no tema, ele lembrou da cultura do uso das sacolas plásticas nos mercados.

“Acho que a questão não é você usar a sacola biodegradável ou não usar a sacola de plástico. Nós precisamos aprender a usar um pouco menos o descartável. Isso é cultural. Se você for na Alemanha, o alemão leva a sacola dele para fazer compra. No Brasil, o brasileiro não leva a sacola”, lembra Honda.

O diretor da Abras disse ainda que o debate não deve ficar restrito às sacolas plásticas, as quais “podem interessar ou não a um tipo de indústria”. “O Brasil coloca no mercado 11 bilhões de unidades pet e nós reciclamos algo em torno de 3 bilhões. Cada ano, nós estamos colocando fora 8 bilhões de unidades e não estamos discutindo isso.”, afirmou.

Também durante a Expoagas, o presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), Antônio Cesa Longo, disse que a criação das sacolas oxi-biodegradáveis pode ser uma solução, desde que seja comprovada sua eficácia por técnicos competentes e responsáveis.

Recentemente, o diretor do Departamento de Economia e Meio Ambiente do Ministério do Meio Ambiente, Luiz Fernando Merico, alertou que as novas tecnologias para reduzir o uso do plástico, como as sacolas oxi-biodegradáveis, precisam ser bem estudadas, para que não causem maiores danos à natureza.

Roessler quer difundir sacola de pano

Conforme projeto que começa a ser trabalhado pelo Movimento Roessler para Defesa Ambiental, de Novo Hamburgo, os supermercados, farmácias e boa parte do comércio varejista embalam em saquinhos tudo o que passa pela caixa registradora.

“O mais problemático é que isso já foi incorporado na nossa rotina como algo normal, sem preocupação com os resíduos que acabam comprometendo a vida útil dos aterros sanitários. Nossa dependência é tamanha que, quando ele não está disponível, tornam-se comum as reclamações indignadas. Quem recusa a embalagem de plástico é considerado, no mínimo, exótico”, afirma Markus Willimzig, presidente da entidade.

A proposta lembra que os sacos são feitos de resinas sintéticas originadas do petróleo e não são biodegradáveis, levando séculos para se decompor na natureza. No caso das sacolas de mercados, a matéria-prima utilizada é o plástico filme, gerado a partir de uma resina chamada polietileno de baixa densidade (PEBD). No Brasil, são produzidas 210 mil toneladas anuais de plástico filme (9,7% de todo o lixo do país).

“Nos muitos países do primeiro mundo, é obrigatório pagar uma taxa para os sacos plásticos nos mercados e, com isso, as pessoas usam e reusam sacos mais rígidos, como os de pano. Isso virou uma moda. Os sacos são bonitos e bem desenhados”, conta Willimzig, que é natural da Alemanha.

“No momento, ainda é impossível terminar com o uso de sacos plásticos. Porém, nosso projeto é um início para uma mudança deste hábito, para uma mudança deste problema de meio ambiente”, finaliza o ambientalista.

Fonte: novohamburgo.org

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