“Simplesmente incrível e espantosa a soma de trabalhos que o Padre Rambo realizou nos 56 anos de vida.” Estas palavras servem bem para iniciar a apresentação deste que foi, sem dúvida alguma, o maior naturalista que o Rio Grande já viu.

Nascido em Tupandi (1905), filho de agricultores, Balduíno Rambo sempre foi um estudioso das coisas da nossa terra. Cursou filosofia na Alemanha, fez magistério no Colégio Anchieta, e conclui sua formação de jesuíta no Seminário Central de São Leopoldo. Lecionou no Colégio Catarinense, no Colégio Anchieta e na UFRGS.

Mas não só pela excelência de suas aulas de ciências, antropologia e etnografia o Pe. Rambo é lembrado. Dedicou boa parte de sua vida ao estudo da botânica do extremo sul do Brasil. Seu entendimento da paisagem do Rio Grande, desde a mais insignificante (palavra que certamente não existiu me seu vocabulário) plantinha até os grandes conjuntos fisionômicos dos campos e matas, e a maneira com que perpetuou isto em seus textos, dosando o rigor da ciência e a amenidade da poesia, são insuperáveis.

Da sua obra mais bonita, dedicada não apenas ao acadêmico das ciências, mas a todo que deseja entender a sua terra, extraímos o trecho que segue. Que o Padre Rambo nos perdoe a infâmia por fragmentar tão belo trabalho, mas o fazemos apenas no intuito de incentivar o leitor a conhecer “A Fisionomia do Rio Grande do Sul” por completo.

“A Grandiosidade do Saber Natural

De per se estéreis em elementos estéticos, os conhecimentos de geologia, petrografia, botânica, zoologia, quando caldeados numa unidade harmônica de um espírito bem formado e inclinado ao belo, aumentam essencialmente o gozo estético, permitindo ver as causas e os efeitos, interpretar as formas e as figuras, penetrar nos problemas e nos enigmas, parar reverente diante do mistério indecifrável da Criação e do Criador, enfim, do que é, e do que será, ritmo misterioso que eleva os seus acordes até o trono de Deus.

Assim o belo na paisagem não é senão a expressão do parentesco íntimo do espírito humano com o mundo que o rodeia, e com o Criador que está acima dele. Tanto a abstração completa do belo na ciência pura, como a projeção de sentimentos puramente subjetivos sobre a paisagem não correspondem à realidade total. A realidade total, esta está na resposta com a que a alma simples e sã reage às impressões da paisagem harmônica ou grandiosa: o sentimento do belo.”

*Biólogo Julian Mauhs