O Movimento Roessler, o Parcão e a Educação Ambiental no Parcão.

O Parque Municipal Henrique Luiz Roessler – PARCÃO, é a maior área verde dentro da zona urbana de Novo Hamburgo, com 54 hectares, sendo um espaço de reconhecida importância histórica, cultural e ambiental. Criado em 19 de fevereiro de 1990, está localizado entre os bairros de Hamburgo Velho, Jardim Mauá e Canudos, em Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul, Brasil.

A criação deste Parque foi uma valiosa conquista do Movimento Roessler, que com o apoio da UPAN, movimentou a comunidade hamburguense e obteve esta vitória junto ao governo da época, adquirindo esta área verde e de lazer. Mas o ganho para a comunidade foi ainda maior do que foi imaginado na época. Atualmente o Parcão está inscrito no Órgão Estadual como uma Unidade de Conservação de Uso Sustentável, classificado como uma ARIE (Área de Relevante Interesse Ecológico) e é considerado um pulmão verde da nossa cidade. E dentro deste ambiente natural rico em biodiversidade, com diversos exemplares de fauna e flora que ocorrem atividades de Educação Ambiental.

Estas atividades vem acontecendo desde junho de 2002, iniciando com a Bióloga Irene Souza fazendo trilhas de observação com escolas, entidades e comunidade. Em 2003 a bióloga recebeu auxilio do estudante de biologia Julio Anápio. Em 2004, uniram- se à equipe de Educação Ambiental do Parque as professoras Ana Beatriz Wittmann Schaeffer e Rosemari de Lima e Silva, as quais, com a saída da Irene e do Júlio, ficaram com a responsabilidade de dar andamento aos trabalhos.

Em 2015 a professora Ana se aposentou, e em 2016 a professora Adriana Backes veio para substituí-la. Atualmente o projeto de Educação Ambiental no Parcão abrange: trilha ecológica, horta de chás e temperos, produção de mudas e assessoria à Escola Sustentável. Na trilha pelo parque as crianças tem a oportunidade de se conectar com a natureza, vivenciando momentos de tranquilidade, respirar ar puro, como eles mesmos comentam. Neste espaço eles tem a oportunidade de conhecer os lagostins de água doce (Parastacus) que constroem suas tocas subterrâneas ao lado do arroio Wiesenthal que nasce dentro do parque. Os lagostins se alimentam das larvas dos insetos, assim como os sapos, lagartixas e outros predadores, evitando a superpopulação de insetos e proporcionando o equilíbrio ecológico do local e entorno.

As crianças também têm a oportunidade de conhecer um arroio limpo e mudar o conceito e a visão de que o arroio é algo construído nas cidades para receber o esgoto e o lixo, sendo rotulado como “valão”. Com esta visita procuramos fazer a reflexão do caminho do arroio até o rio “maior”, que no nosso caso é o Rio dos Sinos, de onde a água é retirada para o nosso consumo. É importante que os alunos entendam que cada um deve fazer a sua parte para que as águas não fiquem poluídas.

O fechamento das atividades acontece na praça, pois acreditamos que o lazer principalmente em contato com a natureza é muito importante para o desenvolvimento sadio da criança. Especialistas em Educação Ambiental, médicos e pediatras vem se unindo num coro, alertando que as crianças precisam de natureza! As crianças tem brincado, cada vez mais tempo, em ambientes sintéticos, de plástico, acimentados, e ainda em ambientes virtuais, passando horas em frente a computadores e celulares. Num mundo cada vez mais virtual, onde as crianças tem contato com a tecnologia desde bebês, acessando celulares e tablets com tanta naturalidade , e por outro lado, um contato cada vez mais raro com o mundo natural, seja por insegurança dos pais, desconhecimento, ou comodidade.

As trilhas orientadas no Parcão vem a ser uma excelente oportunidade de proporcionar este contato às nossas crianças. O livro “A Última Criança na Natureza” apresenta uma abrangente síntese de pesquisas que relacionam a presença da natureza na vida das crianças com seu bem estar físico, emocional, social e acadêmico. Seu autor, Richard Louv, jornalista e fundador do Movimento Criança e Natureza, cunhou pela primeira vez o termo Transtorno do Déficit de Natureza (TDN) e chamou, assim, a atenção da comunidade internacional para o impacto negativo da falta da natureza na vida das crianças (http://criancaenatureza.org.br/nossas-acoes/traducao-e-publicacao-do-livro-ultima-crianca-na-natureza/). Também segundo Léa Tiriba (2010, p. 9), “… é fundamental investir no propósito de desemparedar e conquistar os espaços que estão para além dos muros escolares, pois não apenas as salas de aula, mas todos os lugares são propícios às aprendizagens: terrenos, jardins, plantações, criações, riachos, praias, dunas, descampados; tudo que está no entorno, o bairro, a cidade, seus acidentes geográficos, pontos históricos e pitorescos, as montanhas, o mar…” (http://portal.mec.gov.br/docman/dezembro-2010- pdf/7161-2-9-artigo-mec-criancas-natureza-lea-tiriba/file).

O contato com a natureza através do Parcão, contempla estas necessidades apontadas pelos autores acima citados, além de possibilitar que a criança vivencie integralmente um momento com seu corpo e mente, e também conexão e reverência à natureza, da qual todos fazemos parte, justificando assim a importância deste projeto para nossas crianças e suas famílias.

OBS: Escolas e grupos da comunidade interessados em participar das atividades, podem ligar e agendar sua visita pelo telefone 3524-0356.

 

Rosemari de Lima e Silva Adriana Backes
Pedagogas e Especialistas em Educação Ambiental

Comments(2)

  1. Kurt G. H. Schmeling says

    Luana: Esse material é muito importante e merece ser incorporado ao Arquivo Histórico do MR. Seria possível tirar-me uma cópia? Grato!

    • Luana da Rosa says

      Sim Professor! Colocarei uma cópia do texto junto aos materiais a serem enviados ao Arquivo Histórico.

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