O Futuro do Clima no Brasil

O relatório do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, emitido em 2012, trás uma série de estudos recentes sobre a situação dos efeitos das mudanças climáticas no país e faz projeções à luz destes estudos. Ele é uma iniciativa do Governo Brasileiro para acompanhar o tema.

Os estudos mais destacados apontam possíveis mudanças na temperatura média anual e nas médias de chuvas para os principais biomas brasileiros. As projeções são até o final do século XXI, divididos em períodos de 30 anos.

Na Amazônia, as tendências seriam de redução do nível de chuva e aumento da temperatura. As chuvas cairiam até 40% no final do século e a temperatura média aumentaria até 5 a 6ºC.

Na Caatinga as tendências seriam de redução do nível de chuva e aumento da temperatura. As chuvas cairiam até 35 a 45% no final do século e a temperatura média aumentaria até 4,5ºC.

No Cerrado as tendências seriam de redução do nível de chuva e aumento da temperatura. As chuvas cairiam até 35 a 40% no final do século e a temperatura média aumentaria até 5 a 5,5ºC.

No Pantanal as tendências também seriam de redução do nível de chuva e aumento da temperatura. As chuvas cairiam até 35 a 40% no final do século e a temperatura média aumentaria até 3,5 a 4,5ºC.

A Mata Atlântica teria efeitos diferentes nas suas porções nordeste e na porção sul/sudeste. Na porção nordeste as tendências seriam de redução do nível de chuva e aumento da temperatura. As chuvas cairiam até 30 a 35% no final do século e a temperatura média aumentaria até 3 a 4ºC. Na porção sul/sudeste as tendências seriam de aumento do nível de chuva e aumento da temperatura. As chuvas aumentariam até 30 a 35% no final do século e a temperatura média aumentaria até 2,5 a 3ºC.

No Pampa, as tendências seriam de aumento do nível de chuva e aumento da temperatura. As chuvas aumentariam de 35 a 30% no final do século e a temperatura média aumentaria até 2,5 a 3ºC.

Obviamente que estes números carecem de maiores estudos, mas nos fazem pensar, caso estejam corretos, nas suas consequências. Temperatura e chuvas determinam os padrões de vegetação e estes influem na ocorrência da fauna silvestre. Todos os ecossistemas podem se modificar muito considerando que a estes efeitos ainda se somam outros impactos da ação humana.

Os riscos às populações, a infra-estrutura e a agricultura parecem ser evidentes e vão exigir muito investimento, trabalho e criatividade no seu enfrentamento.

Claro que os céticos dirão que tudo é uma exagero. Até pode ser, mas, no mínimo temos que seguir monitorando os fatos e tomando providências para lidar com eles. Os eventos recentes parecem confirmar algumas tendências e os efeitos, especialmente nas populações mais pobres e em áreas de risco, são bem assustadores. Hay que estar preparados!

O relatório completo está no link: http://www.pbmc.coppe.ufrj.br/documentos/PBMC-VOLUME1-RAN1.pdf

Arno Kayser, agrônomo.

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