Fórum Alternativo Mundial da Água (FAMA)

O FAMA NA UNB E NO PARQUE DA CIDADE

Depois de meses de tentativas para que o governo do Distrito Federal liberasse e garantisse uma área para o Fórum Alternativo Mundial da Água – o FAMA, finalmente foi conquistado o Parque da Cidade, em Brasília, para as atividades dos dias 19 a 22 de março.

Já estava garantido o espaço na UNB para os dias 17 e 18. Por que essa resistência ao FAMA? Não se deve, com certeza, a uma consulta popular indicando que o FAMA não mereceria nem espaço físico para sua realização. Nossos governos não consultam o povo. O que costumam fazer é consultar as grandes empresas. E provavelmente foi isso que aconteceu: como o governo do Distrito Federal e o governo federal aceitaram apoiar e garantir espaço para o Fórum Mundial da Água, organizado por um Conselho Mundial da Água constituído pelas maiores empresas mundiais dos negócios ligados à água, é claro que elas pressionaram para que os governos impedissem a realização do FAMA. O aceitável, para elas, seria que todos entrassem no “espaço cidadão” do fórum delas, servindo de enfeite e disfarce para o que realmente vale: o espaço restrito e exclusivo em que elas e governantes acertarão a privatização dos serviços de água e saneamento – e provavelmente, também do Aquífero Guarani.

Imaginem, amigos e amigas, que se é quase impossível que representantes de povos indígenas e comunidades tradicionais, de movimentos e organizações sociais populares e de associações profissionais sejam ouvidos e levados a sério nas conferências mundiais organizadas pela ONU, que chances terão num fórum organizado para defender interesses de empresas? Mesmo nas iniciativas da ONU, que é constituída pelos governos de quase todos os países do planeta, as empresas são privilegiadas e contam com muitos especialistas em fazer pressão sobre os governantes, conhecidos como “lobistas”. No caso do Fórum Mundial da Água acontece o inverso: as empresas são as organizadoras, e até os governos são convidados. Então, se os governantes deverão pedir para falar, imaginem o que acontecerá com os representantes populares!

O importante, contudo, é que o FAMA será realizado e do jeito que está sendo planejado pela coordenação nacional e internacional constituída por representantes de organizações populares que defendem a água como bem comum de todos os seres vivos e direito humano, que combatem a privatização dos serviços de água e saneamento, e consideram um crime contra a vida a entrega de aquíferos e outros mananciais de água a empresas que só se interessam por seus lucros.

Ivo Poletto, do Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Social (FMCJS)

Para saber mais acesse o portal do FAMA (clique aqui).

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