Fim-da-Picada realiza percurso até as nascentes do rio dos Sinos


Trajeto até Fraga – Caraá

No último dia 25 de março o Projeto Fim-da-Picada retomou suas caminhadas ecológicas, depois de um breve período de recesso.

Em 2017 a iniciativa completa 20 anos de atividade ininterrupta, ao longo dos quais dezenas de militantes e simpatizantes do Movimento Roessler tiveram oportunidade de, em grupo, conhecer lugares nas redondezas de Novo Hamburgo que surpreendem, emocionam e gratificam: Cachoeiras escondidas, represas, corredeiras e remansos; as nascentes do rio dos Sinos, Caí e das Antas; cristas de morros com paisagens deslumbrantes e rampas de voo livre; estradas coloniais, trilhas fechadas e caminhos por dentro de riachos; ruínas históricas, povoados que pararam no tempo…e muito mais, que ficaram registrados nas milhares de fotos, e na lembrança dos participantes.

Na primeira saída do ano se visitou o trecho inicial do nosso Rio dos Sinos, caminhando desde a Vila Fraga, no interior do município de Caraá, até a cascata principal em que as águas que brotam nas turfeiras do alto da serra despencam por mais de 100 metros formando um belíssimo véu, para depois percorrerem um desfiladeiro rochoso de mata fechada com aproximadamente dois quilômetros, e finalmente chegarem à planície para seguirem serpenteando e recolhendo as águas dos seus tributários até a foz no Rio Jacuí.

Fazia oito anos, desde a nossa última incursão ao local, quando havíamos acampado junto à casa do amigo Carlos Bartz Moreira da Associação de Proteção à Nascente do Rio dos Sinos – APENAS, e foi com grande satisfação que o encontramos, primeiro em meio à mata, e depois visitando seu sítio, antes de empreender a caminhada de retorno, porém muitos estavam indo ao local pela primeira vez, e certamente se surpreenderam ao conhecer um Rio dos Sinos de águas tão límpidas.

Saímos pouco depois das sete da manhã, da Praça 20 de Setembro em Novo Hamburgo, para Caraá, aonde nos reunimos com o pessoal oriundo de Porto Alegre, e de lá seguimos em comboio até a Vila Fraga, estacionando os carros junto à igreja, depois de viajar por aproximadamente duas horas. O grupo formado por 26 pessoas recebeu as informações básicas sobre o roteiro e colocou o pé na estrada. Nos primeiros cinco quilômetros, em uma subida leve e constante, se pode apreciar a paisagem de morros ao redor, com algumas encostas tomadas por quaresmeiras floridas (Tibouchina granulosa). No caminho ainda cruzamos por um grupo de acadêmicos em trabalho de campo para uma pesquisa sobre répteis que existem na região.

Depois de passar pela casa de hóspedes do Sr. Ivan José de Paula, que também integra a APENAS, entrou-se na mata fechada. Porém, logo ao atravessar um pequeno riacho, seguiu-se o seu curso por algum tempo, até que se percebeu um equívoco: havíamos nos desviado do caminho, subindo por uma ravina secundária. Coisas desse tipo por vezes acontecem, mas fazem parte da aventura. Antes de retomar o caminho correto, encontrou-se um local razoavelmente adequado para descansar e lanchar.

A última parte do trajeto para chegar à cascata, de pouco mais de um quilômetro, é a mais bela, porém mais desafiadora. É feita por uma trilha que segue o curso do Rio dos Sinos, atravessando-o algumas vezes, ultrapassando ou desviando grandes matacões, escalando barrancos com ajuda de cordas e raízes. Chegou-se lá fisicamente desgastado, mas a recompensa é gratificante e pode ser conferida nas imagens.

Depois de documentar o momento, fazer mais um lanche e descansar o corpo, tomou-se o caminho de volta. Antes de sair do desfiladeiro ainda nos detivemos em outra cachoeira, não tão alta, mas com um poço propício para um bom banho, em que muitos aproveitaram para se refrescar.

Finalizou-se retornando pelo mesmo caminho, aproveitando os últimos raios de sol e chegando aos carros quando já era noite.

O principal resultado da empreitada, além do momento de integração, é o crescimento de cada um pela experiência e pelo conhecimento adquiridos, cujos frutos vêm pela multiplicação aos outros sobre a importância de se preservar os mananciais e a natureza circundante. A oportunidade de visitar e conhecer belezas naturais da região em que se vive não deixa ninguém impassível. As pessoas são seduzidas e se tornam cada vez mais defensoras do meio-ambiente. Esse é o objetivo do Projeto Fim-da-Picada.

Para acessar as fotos do evento capturadas por Cláudio Santos, clique no link abaixo:
https://goo.gl/photos/m3RyES8SfYc9trdF8

Gerson Rolim Guidobono

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