Esgoto já para novos condomínios

O Movimento Roessler para Defesa Ambiental recebeu a visita de representantes da Secretaria de Habitação (SEHAB) e da construtora KAEFE na sede da entidade, no dia 28 de julho. Na oportunidade, foram repassadas informações sobre o condomínio que vai ser construído no bairro São Jorge, Rua do Expedicionário, através do PAR (Programa de Arrendamento Residencial).

A seguir, informamos três pontos importantes nos quais o Roessler entende que o projeto precisa ser modificado:

1°: No prédio que está previsto como receptor do lixo sólido, achamos importante fazer instalações, como baias ou contêineres, para dar a possibilidade de separar o lixo melhor do que só nas frações de lixo orgânico e lixo seco. Quando o condomínio separa lixo como garrafas de PET, vidro, papel, etc., há menor impacto ambiental e também cria-se uma fonte de renda para o condomínio. A experiência mostra que, quando este tipo de instalação não é prevista no projeto, acaba não sendo construída depois.

2°: A instalação de um sistema de coleta da água da chuva para irrigar as áreas verdes, lavar os carros, molhar jardim, etc. A água potável, da COMUSA, é preciosa demais para este uso. Isso também pode economizar água e diminuir os custos do condomínio.

3°: E o ponto mais importante: a instalação de tratamento de esgoto com um sistema melhor do que fossa e filtro.

O maior problema do meio ambiente no Vale do Sinos é a falta de tratamento do esgoto doméstico. Em poucos anos, o número dos habitantes da região vai duplicar e não vamos ter água suficiente para abastecer tantas pessoas. E a água vem do Rio dos Sinos, que tem hoje a qualidade classificada como 4 (conforme Resolução CONAMA 357/2005), o que significa que esta água não pode ser usada para abastecimento público, mesmo com tratamento. E esta situação tende a piorar, pois teremos mais pessoas que lançam o esgoto no rio sem tratamento. As empresas de abastecimento não terão tecnologia para garantir uma água limpa e saudável.

Por isso, se não começarmos agora a tratar nosso esgoto doméstico, nossos filhos e netos não terão mais água para beber.

A instalação de fossa e filtro significa uma tecnologia mínima. Hoje, existem muitas alternativas que darão melhores resultados no tratamento, com um investimento igual ou levemente maior. Se o sistema de fossa e filtro custa em torno de 70 mil reais para este tipo de condomínio com 600 pessoas, a alternativa com diferentes tanques e uma aeração custa um preço muito próximo, que será de, no máximo, 110 mil reais. Esta alternativa trata a água bem melhor, atingindo uma qualidade possível até de ser usada na irrigação de áreas verdes.

O Movimento Roessler quer que a Prefeitura de Novo Hamburgo comece agora com uma melhora na situação do nosso meio ambiente e do nosso rio. A Prefeitura tem a possibilidade de justificar e autorizar, para cada novo empreendimento de Novo Hamburgo, a instalação obrigatória, de um sistema de tratamento do esgoto que limpa nossos efluentes. E isto vale tanto para o novo residencial da modalidade PAR quanto para empreendimentos de luxo que também estão se instalando na cidade.

Nossos filhos e netos têm o direto de ter água boa para beber. Eles merecem este investimento.

* Opinião do Movimento Roessler para Defesa Ambiental

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