Associação de bairro – o ambiente em pauta

Por Rosane Romanini, professora de Educação Física da Rede Municipal de Ensino; Mestre em Educação.

Ao ser convidada a escrever este artigo, necessitei me reportar para meu currículo, entendido aqui como trajetória de vida, percurso e identidade. Felizmente, minha trajetória de vida foi sendo interpelada por diferentes atores. A mídia de cada dia que traz hoje na pauta assuntos ambientais de uma ponta do planeta a outra. Os teóricos que me ajudam a olhar diferente e a desconfiar daquilo que sempre via do mesmo jeito. E, também, o convívio com pessoas que, com um olhar sensível para pequenas ações, ajudaram a me tornar mais sensível às questões ambientais, possibilitando exercer minha cidadania.

Cito, por exemplo, a minha colega Cecília, que faz em seu cotidiano pequenas ações, aparentemente insignificantes, como cuidar das árvores do Centro Administrativo e adotar animais abandonados. Adriana Roveda me ensinou que a sensibilização toca mais que o discurso da conscientização. Assim, como o exemplo Isabel Bueno, que faz das fontes vitais e não vitais do bairro Santo Afonso a grande sala de aula para seus alunos.

Ao fazer das pequenas conversas por onde circulo, um diálogo também ambiental – mesmo que iniciante -, acredito que hoje sou uma profissional, uma moradora de um bairro e uma mãe com olhares diferentes.

Um dos grupos que participo, é a Associação de Moradores dos Bairros Rincão e Petrópolis, de Novo Hamburgo, que traz para a cena a participação da comunidade em encontros no espaço público. A necessidade de realizar ações como um jornal falando sobre as fontes vitais do bairro e da cidade, como as escolas, os clubes, as praças, os movimentos voluntariados, os talentos, a voz das crianças, trazem a possibilidade de desenvolver o sentimento de pertencimento do lugar habitado. Alguns autores falam que isso é uma forma de “empoderamento” das pessoas.

Ao participar, neste ano, da Conferencia Mundial sobre o Desenvolvimento de Cidades em Porto Alegre, pude perceber um forte discurso questionando a verdadeira cidadania. Uma pergunta que circulava entre os palestrantes era: o que faz as cidades morrerem ou viverem? E uma das repostas foi que, ao capacitar e empoderar as pessoas, as cidades podem ser do jeito que queremos que elas sejam: solidárias, saudáveis, educadoras, que contemplem possibilidades de vida.

Nesse sentido, a capacitação e o empoderamento das pessoas passam pelas políticas públicas, como via de dar voz ao cidadão, ao aderirem a movimentos sindicais, ambientais, ONGs, cooperativas, escola. Enfim, a participação em grupos, fazendo circular a palavra para produzir idéias que trazem o conhecimento em favor da coletividade.

Nas conversas durante as reuniões, pude observar que os moradores sabem o que está prejudicando o ambiente, têm conhecimento da escassez de água, da necessidade de aproveitar o lixo orgânico, da separação de resíduos domésticos, entre outras informações.

Nesta busca de desenvolver um sentimento de pertencimento e um empoderamento das pessoas, a Associação organiza e mobiliza seus moradores para socializar suas iniciativas. Assim, o projeto “Mete Pilha”, da Escola Estadual Dom Pedro II, o armazenamento de vidro do Sr. Antonio, tiveram um grande destaque no jornal do mês de maio. Destas ações, surgiu a criação de um posto de coleta de óleo de cozinha usado pela própria associação.

Vejo em cada participante desta associação de moradores um sujeito empoderado que ultrapassa o seu mundo de valores, crenças e sonhos para acolher e se fortalecer frente às problemáticas sociais numa perspectiva coletiva. Esta associação almeja, num primeiro ensaio, proteger o planeta de forma local, convictos de que as pequenas ações do cotidiano produzem efeitos globais.

Na foto, Olmar Romanini, presidente da Associação de Moradores dos bairros Rincão e Petrópolis, armazena óleo de cozinha usado trazido pelos moradores.

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