Ameaça de Extinção

O desaparecimento de uma espécie pode estar relacionada a longos períodos de isolamento, catástrofes geológicas e a competição, todos eventos causados ao longo de milhares de anos e por causas naturais. Atualmente, nosso desenvolvimento tem alterando os ciclos biológicos necessários aos estágios de sucessão naturais. A expansão humana e suas conseqüências (como o aquecimento global, introdução de espécies exóticas, desmatamento e a desertificação) têm levado à extinção inúmeras espécies da flora e fauna.

Neste contexto, a construção da hidrelétrica no Rio Forqueta, em Arvorezinha no Vale do Taquari, tem gerado polêmica devido ao risco de extinção de uma espécie rara de sapo encontrada apenas nesta região do Rio Grande do Sul. Batizado de sapo-de-barriga-vermelha (Melanophryniscus admirabillis), o anfíbio que mede menos de cinco centímetros é encontrado em uma área de 700 metros às margens do rio, portanto endêmico desta região. A pedido de ambientalistas, que exigem mais estudos sobre a espécie rara de anfíbio que pode ser extinta, a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) ainda não liberou a licença de instalação da barragem, a qual ainda deve ser foco de muita discussão.

A determinação se uma espécie está em extinção, não é baseada apenas no número de indivíduos que existem na natureza, mas realizada com base em critérios adotados pela União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN), a mais antiga organização internacional de preservação do meio-ambiente. Segundo a IUCN, as espécies podem ser classificadas em oito categorias: extinta, extinta na natureza, criticamente em perigo, em perigo, vulnerável, quase ameaçada, pouco preocupante e deficientes em dados. Se a espécie foi classificada em uma das duas primeiras categorias é considerada extinta, se está entre vulnerável e criticamente em perigo, corre risco de extinção.

Para se chegar a uma dessas categorias, são levados em conta os seguintes critérios: 1 – Quanto a população diminuiu durante o espaço de três gerações ou qual é a projeção de declínio populacional para as próximas três gerações; 2 – Extensão de ocorrência e tamanho da área que ocupa; 3 – Tamanho da população de indivíduos maduros (prontos para a reprodução); 4 – Análises quantitativas que mostram a probabilidade de extinção na natureza nas próximas três gerações.

Baseado nestes mesmos critérios, o Rio Grande do Sul tem em seu decreto estadual nº 42.099, de 31 de dezembro de 2002 a lista das Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção e no decreto nº 41.672, de 11 de junho de 2002 a Lista das Espécies da Fauna Ameaçadas.

Atualmente novas ferramentas são utilizadas para avaliar o real impacto do desenvolvimento humano (EIA / RIMA), no entanto, os estudos realizados não devem ter apenas como objetivo o atendimento a um requisito legal necessário a liberação de licenças ambientais, mas utilizado como um importante meio de discussão da sociedade quanto as suas reais prioridades, considerando seu próprio risco de extinção.

Horst Mitteregger – Biológo

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Fontes consultadas:

www.iucn.org/

www.fzb.rs.gov.br/

www.mma.gov.br/?

http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/nossa-terra/2013/noticia/2013/04/risco-de-extincao-de-especie-rara-de-sapo-atrasa-obra-de-hidreletrica-no-rs.html

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