17 de dezembro: Dia Nacional do Bioma Pampa

Em 17 de dezembro se comemora o Dia Nacional do Bioma Pampa. Esta data foi escolhida por se tratar do aniversário de um dos mais célebres ambientalistas gaúchos: José Lutzemberger.
O Bioma Pampa é um bioma encontrado na metade Sul do estado do Rio Grande do Sul, correspondendo a 63% do território gaúcho e 2,07% do território nacional. A vegetação dos Campos Sulinos se estende para Argentina e Uruguai.
Apenas no ano de 2004 foi reconhecido oficialmente como um bioma, e somente em 2007 passou a ter data comemorativa.
Apesar de ser um bioma com pequena representação territorial no país, o Pampa é um bioma que abriga uma vasta biodiversidade, possuindo como principal característica a vegetação rasteira, em sua maior parte caracterizado por gramíneas. Além das gramíneas e seus campos naturais, a paisagem também é marcada por espécies de compostas, pertencentes a família Asteraceae que inclui as margaridas, carquejas e miomios, além de espécies de leguminosas da família Fabaceae, como o trevo, a babosa nativa e o pega-pega. Há também a família das verbenáceas, cactáceas, iridáceas e malváceas que são bem representadas, cada qual com dezenas de espécies no bioma. Esta vasta dimensão de flora está espalhada pelo território que o Pampa ocupa atualmente, já tendo perdido boa parte em decorrência da expansão urbana, monocultivo, principalmente de soja, pinus e eucalipto e da constante invasão do agronegócio, porém, referente a esta perda de território, estima-se que o Pampa apresente apenas cerca de 36% de sua cobertura vegetal natural, e as taxas de conversão dos campos nativos são desoladamente alarmantes, pois superam em muito as taxas de desmatamento na Amazônia.
O Bioma Pampa é caracterizado quase que exclusivamente pelos campos naturais, no entanto, outros tipos de vegetação também podem ser observados, como serras, planícies, morros rupestres e coxilhas, além de matas ciliares, matas de encosta, matas de pau-ferro, formações arbustivas, butiazais, banhados e afloramentos rochosos. Por sua paisagem natural ser tão variada, o Pampa é considerado um imenso patrimônio cultural associado à biodiversidade.
A biodiversidade do Pampa não está vinculada apenas a espécies de origem vegetal. Com a vasta diversidade de gramíneas, é possível notar que o pastoreio é uma forte característica do Pampa, assim como a pecuária. A fauna dos Campos Sulinos também é fortemente marcada pela enorme quantidade de espécies de aves, chegando a quase 500 espécies, como ema, o quero-quero, o perdigão, o sabiá-do-campo, a perdiz, o joão-de-barro, o caminheiro-de-espora, e o pica-pau do campo, além de uma expressiva diversidade de mamíferos.
A biodiversidade do Pampa é rica e valiosa, no entanto, está profundamente ameaçada pela invasão urbana e por grandes empresas que visam lucro transformando o campo nativo em grandes lavouras para o monocultivo de espécies exóticas. É necessário desmistificar a lenda de que os campos do Pampa são pobres e apenas servem para o pasto. Sua fauna e flora são ricas e contribuem largamente para o ranking da biodiversidade no Brasil.

Viva o Pampa!

 
Luana da Rosa
Bióloga

 

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